publicidade
publicidade

James Cameron critica falta de política ambiental nos EUA

A A A

27 de Março de 2010

James Cameron e sua mulher, Suzy Amis

James Cameron e sua mulher, Suzy Amis

James Cameron e sua mulher, Suzy Amis

Rafael Nobre, especial para o UrbanPost
de Manaus

James Cameron começou sua palestra com a saudação “Eu vejo você”, típica dos Na’vi, habitantes do planeta Pandora idealizado no seu último filme Avatar. O premiado cineasta não mediu as palavras para falar sobre a ausência de políticas ambientais dos Estados Unidos e para alertar a comunidade internacional sobre a necessidade de “agir hoje, agora, para salvar o planeta” de um “ecodesastre”.

Com o título “Como e por que sensibilizar a sociedade para a importância e urgência da conservação da Amazônia: a experiência pessoal de um cineasta”, a apresentação de Cameron foi repleta de comparação entre cenas famosas de seus filmes com a situação atual do clima e meio ambiente.

“Eu faço filmes e não vou fingir que sou ambientalista, economista ou líder empresarial. A única coisa que eu posso fazer é trazer uma visão diferente e falar com o coração”, disse Cameron. O diretor de Avatar avisou que não há tempo para discursos vazios de ações práticas e cheios de politicagem. “Temos cinco, talvez 15 anos, no máximo para começar de fato a reverter a situação em que o nosso planeta está”, alertou.

Cameron questionou que se Estados Unidos são responsáveis por 25% da poluição gerada no mundo, eles têm muita responsabilidade para se manterem tão alheios às questões ambientais. “Se as florestas ajudam a manter o clima, então os países poluidores deveriam pagar por isso. Temos que achar gente para pagar por isso. Onde estão os grandes poluidores como Estados Unidos e a China?”, perguntou. “O Brasil não precisa pagar por isso sozinho com sua floresta Amazônica”, completou.

Para justificar sua presença no Fórum Internacional de Sustentabilidade, realizado nesta sexta-feira e sábado (26 e 27), em Manaus, Cameron explicou que estava no evento porque fez um filme onde uma população humana tecnológica tenta destruir a natureza de outro planeta. “A única diferença aqui é que estamos destruindo o nosso próprio planeta. Assim como os Na’vi lutaram para defender Pandora, temos que lutar pela Terra”, frisou arrancando gritos de entusiasmo e aplausos emocionados da plateia.

Eleições no Brasil – Durante entrevista coletiva, Cameron foi questionado sobre sua posição política em relação às eleições no Brasil e se houve algum pedido da pré-candidata Marina Silva (PV), para se encontrar com ele. O diretor de cinema afirmou que seria um grande prazer conversar com uma mulher que carrega a bandeira do meio ambiente e é candidata a presidência de um país como o Brasil. “Mas estou deixando o país em alguns dias e ninguém me convidou para conversar sobre o assunto”, declarou visivelmente desapontado com a ausência do convite.

Avatar 2 – James Cameron desmentiu o boato sobre a filmar a continuação de Avatar na floresta Amazônica venezuelana. “Fizemos o primeiro [filme] em um estúdio de computação gráfica e não usamos nenhuma folha real nem tivemos que derrubar árvores para mostrar a destruição de Pandora. Nunca faríamos isso com a floresta Amazônica”, reagiu.

Apesar de não ter planos para filmar Avatar 2 na Amazônia, Cameron confirmou o convite do governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), para ele “filmar o que quiser” no Amazonas. “O convite está ativo e eu posso vir a Manaus para fazer um outro filme ou um dos meus documentários”, garantiu. Ele brincou dizendo talvez ele explore os oceanos de Pandora na continuação da blockbuster, em uma referência ao cientista e diretor de documentários Jean-Michel Cousteau, estudioso dos oceanos.

Custo do desastre – Segundo Cameron o custo dos combustíveis fósseis que poluem o meio ambiente não é calculado como deveria, Ele explicou que o litro da gasolina nos Estados Unidos, por exemplo, é de US$ 3 por litro, mas deveria ser de aproximadamente US$ 20, para ser condizente com “os milhões de dólares gastos no Iraque para manter as reservas de petróleo dos Estados Unidos, já que 70% do petróleo consumidos pelos americanos é do Oriente Médio”.

Se o preço dos combustíveis oriundos do petróleo fossem comercializados pelo seu preço real qualquer combustível alternativo seria mais barato. “Além disso, os fabricantes de automóveis investiriam na produção de carros elétricos ou não-poluidores”, pontuou Cameron.

Atraso duplo – O primeiro e único secretário estadual dos povos indígenas no Brasil, Jecinaldo Saterê-Mawé, era um dos convidados para debater a palestra de James Cameron. O representante dos indígenas do Amazonas chegou na metade da palestra de Cameron e estava tradicionalmente caracterizado com cocar e rosto pintado de vermelho e preto, chamando a atenção de todos na platéia.

O governador do Amazonas também chegou atrasado e tomou seu lugar na bancada, ao lado de onde o cineasta estava discursando. “Como você chegou atrasado terei de voltar para a primeira página do meu discurso, mas depois eu leio tudo para você”, brincou Cameron.

Cameron finalizou a apresentação dizendo que a questão não é se teremos que mudar nosso estilo de vida para salvar o planeta de “um desastre sem precedentes”, mas quando começaremos a mudança.

Comente