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Atenção às mulheres e novas tecnologias estão no centro das questões climáticas, diz Gore

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26 de Março de 2010

Rafael Nobre, especial para UrbanPost
de Manaus

O ex-vice presidente dos EUA e vencedor do prêmio Nobel da Paz, Al Gore, defendeu em sua palestra intitulada “A importância da conservação da Amazônia para deter o aquecimento global e as mudanças climáticas” que a atenção ao bem-estar das mulheres e precaução com as novas tecnologias devem estar no centro das discussões quando o assunto é a preservação do planeta e a manutenção do clima.

De acordo com Al Gore a educação escolar de meninas, o planejamento familiar, a queda da mortalidade infantil e o espaço das mulheres no poder – tanto na política quanto dentro das empresas –, são fatores essenciais para preservar o planeta. Ele explicou que quando uma família tem acesso à educação acaba entendendo que só pode ter a quantidade de filhos que possa sustentar confortavelmente. Além disso, uma população mundial menor vai precisar de menos recursos naturais para viver e, assim, espera-se que as reservas naturais não se esgotem totalmente.

O ambientalista declarou que é preciso cuidado com as novas tecnologias. “Nem toda tecnologia é benéfica ao meio ambiente e temos que nos perguntar se vale a pena agredir a natureza para viver com comodidade. Esse planeta é a nossa casa e temos que cuidar dele”, afirmou Al Gore, sob aplausos espontâneos da platéia.

Segundo o presidente do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Adalberto Val, assim como em outras questões da sociedade a família é a base da organização humana, na questão ambiental isso não é diferente. Val concorda que uma maior atenção à população feminina poderia ajudar a conter os efeitos negativos das mudanças climáticas e influenciar positivamente na luta pela preservação do planeta.

Todos envolvidos – “Estamos vivendo em uma época onde a separação dos países em desenvolvidos e não-desenvolvidos deixou de ser importante. Todos os países sejam ricos ou não estão envolvidos e são responsáveis pela garantia da sobrevivência das próximas gerações”, disparou Al Gore.

Apesar do belo discurso verde do ex-vice presidente dos EUA, ele ficou desconcertado com uma pergunta enviada por um internauta que acompanham a cobertura do evento através dos websites de notícias. Quando questionado sobre qual seria a opinião dele em relação à ausência de posicionamento claro do presidente norte-americano Barack Obama sobre as questões ambientais e falta de acordo comum na COP-15, Al Gore se portou como um exímio político que é, deu vários rodeios, mas não respondeu.

Para resumir uma fala longa e prolixa, Al Gore reconheceu que a falta de tato de Obama em relação aos assuntos ambientais é um problema que está sendo vencido aos poucos. Ele também afirmou que o modelo político daquele país, onde as unidades federativas têm autonomia para legislar individualmente, impedem um acordo para reduzir a emissão de CO2 (dióxido de carbono) pelas indústrias, por exemplo.

Fator de risco – Segundo Al Gore, a atmosfera terrestre recebe diariamente 90 milhões de toneladas de CO2. “As atividades humanas estão alterando o clima, extinguindo as espécies animais e vegetais e derretendo o gelo das calotas polares e na Cordilheira dos Andes”, pontuou. Ainda de acordo com o prêmio Nobel da Paz, o pólo Norte perdeu 40% da sua área nas últimas duas décadas e o restante deve sumir totalmente em até 20 anos, caso as emissões de gases do efeito estuda não diminuam.

“Se essas áreas congeladas do planeta desaparecem, nós perderemos o jogo. Não haverá como salvar a Terra já que não podemos recriar geleiras”, sentenciou Al Gore. Considerando que o rio Amazonas nasce na Cordilheira dos Andes, no Peru, caso aquela cadeia de montanhas perca sua cobertura de gelo, o rio pode secar e deixar de irrigar a floresta Amazônica, levando a maior área verde do mundo a ser conhecida como maior área amarela, transformando-se em uma grande savana seca e sem vida.

Al Gore palestrou em Manaus, nesta sexta-feira (26), durante o Fórum Internacional de Sustentabilidade. Ele é escritor, autor de “Uma verdade inconveniente”, premiado com o Oscar de melhor documentário em 2007, presidente a Alliance for Climate Protection, membro do conselho da Apple, conselheiro sênior para o Google e professor visitante na Middle Tennesse e State University, em Nashville, Tennessee (EUA). Naquele mesmo ano ele recebeu o prêmio Nobel da Paz devido aos seus esforços para mudar positivamente a questões climáticas mundiais.

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