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Empresas usam criatividade para reciclar lixo tecnológico

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18 de Fevereiro de 2010

Lilian Satomi
Especial para UrbanPost

Sabe aquela obturação dentária que você tem na sua boca? Então, ela pode ser fruto de um material metálico retirado de um aparelho celular usado. E aquela bolinha de gude que seu filho brinca? É bem provável que seja o vidro de um antigo monitor de computador. Pois é, parece brincadeira, mas esses são alguns exemplos criativos de reutilização de materiais recolhidos em produtos considerados lixos tecnológicos, como computadores, aparelhos celulares, pilhas, baterias, lâmpadas e outros. O problema gerado pelo descarte desses equipamentos usados, em qualquer lugar, é muito grande e os fabricantes já estão se mexendo para evitar um prejuízo ainda maior para o meio ambiente.

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A Nokia, por exemplo, desde o final da década de 90, implantou um programa de coleta e reciclagem de aparelhos celulares. “Nós recolhemos e destruímos os equipamentos, não só com a marca Nokia, mas qualquer uma. O que dá para ser reciclado volta para a cadeia produtiva e o que não for reaproveitável, descartamos, procurando sempre reduzir o impacto ambiental”, afirma Gustavo Jaramillo, diretor de serviços da Nokia do Brasil. De acordo com o executivo, 80% de um aparelho da marca Nokia é reciclável. “O display do aparelho é muito complicado de reciclar, mas metais e plásticos são reaproveitados. O metal, por exemplo, pode virar uma obturação dentária”, exemplifica Jaramillo. Mas os números ainda são insipientes. Apenas 3% de tudo que a Nokia coloca no mercado (em 2008 foram 470 milhões de unidades no mundo), volta para a reciclagem. “As pessoas continuam deixando aparelhos usados jogados nas gavetas e não têm consciência do erro”, diz.

Mas, e quando são equipamentos maiores, que não podem ser deixados em uma gaveta, o que fazer? A fabricante de computadores IBM, por exemplo, encontrou uma saída criativa para o descarte de seus monitores. Até o ano 2000 eles eram enviados para aterro, mas, a partir desse ano, o processo foi interrompido e os monitores foram armazenados até que uma solução ambiental fosse encontrada. Em 2008, o processo foi fechado e 180 toneladas de monitores foram para a reciclagem. Um parceiro da IBM pegou o vidro e o transformou em bolinhas de gude, que hoje estão por aí, no mercado, à venda. “Quando falamos de hardware, absolutamente nada é enviado para aterros”, afirma João Luis Bianchini, coordenador de meio ambiente para operações prediais da IBM Brasil.

Quanto à Dell, seus equipamentos usados ou são mandados para a reciclagem ou são recondicionados e doados para projetos sociais. Dados da empresa de 2007 indicam que, no mundo, foram recolhidos mais de 46 milhões de toneladas de equipamentos. A Dell informa que é de sua responsabilidade a administração da logística e o descarte de seus produtos, respeitando sua política interna e as legislações ambientais de cada país onde ela se encontra. Quando o equipamento é destinado à doação, a operação fica por conta da Fundação Pensamento Digital, que retira o produto sem nenhum custo para o doador, envia para centros operacionais para o recondicionamento e depois manda para projetos sociais registrados na rede Cooperação Digital. Mas isso só vale para os estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.

Já na HP, o processo de reciclagem de cartuchos de impressão de sua marca começou em 1991, com o programa Planet Partners para suprimentos de impressoras laserjet. Todo material recolhido é separado e, o que for possível, volta a ser matéria-prima. Para as baterias HP, a iniciativa funciona desde 2002. A Samsung, segundo informou sua assessoria de imprensa, não tem um programa de coleta de equipamentos usados. Mas vai ter que providenciar, uma vez que desde o último dia 6 de julho, no estado de São Paulo, está proibido jogar em qualquer lugar produtos e componentes eletroeletrônicos e também aparelhos eletrodomésticos. A responsabilidade pela sua coleta e destino final é da empresa que fabrica, comercializa ou importa esses equipamentos. As empresas são obrigadas a manter postos de coletas para que o consumidor tenha onde deixar seu lixo tecnológico. Isso tudo está descrito na lei número 13.576.

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