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Acordo climático não deve ser firmado em Copenhague

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16 de Novembro de 2009

Cleber Arruda
Redação UrbanPost, de São Paulo

Copenhague deve entrar para a história como palco de mais uma reunião sem soluções para tentar frear as mudanças climáticas do planeta. Três semanas antes do início do COP-15, líderes mundiais já sinalizam que vão ao encontro sem perspectivas de acordos significativos.

O presidente dos Estados Unidos Barack Obama declarou ontem que o país não está disposto a bater o martelo em decisões em prol de alcançar um acordo final no momento. O motivo principal é a falta de tempo para que o Congresso americano aprove a legislação que estabelece metas obrigatórias a respeito da redução de gases do efeito estufa até a 15ª Conferência das Partes (COP 15). Ao seu lado, China e outras potências mundiais engrossaram o coro de descarte a um acordo definitivo para Copenhague, que começa em 7 de dezembro.

A indisposição das grandes potências a negociações para este ano não traz expectativas de soluções a serem apresentadas por países em desenvolvimento, como Brasil e Índia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista ontem ao programa de televisão “É nóticia” (RedeTV), que esta semana devem surgir “surpresas” sobre a questão dos desmatamentos e que o Brasil deve chegar com metas e números em Copenhague.

Por outro lado, ele disse que deve manter a posição de espera de maior comprometimento dos países ricos. Para justificar esse ponto de vista, Lula brincou comparando o tempo de poluição do planeta desses países em relação ao Brasil. “Eles estão poluindo há 200 anos, nós nem começamos ainda” disse o presidente.

Esta, porém, não é a primeira vez que o assunto “futuro do planeta” pode ser adiado para uma próxima reunião. No caso, para a Cidade do México, no próximo ano.

A conferência de Copenhague tem como objetivo lançar um novo tratado com metas para redução de poluentes dando lugar ao Protocolo de Kyoto que expira em 2012. Um detalhe que não pode ser esquecido: o protocolo não recebeu a assinatura dos EUA.

Esse bate-bola entre nações, porém, não é de hoje. Acompanhe na linha do tempo a seguir, alguns dos principais fatos e reuniões a respeito das questões que envolvem meio ambiente e desenvolvimento até o documento em voga.

1929 – É descoberto o clorofluocarbono (CFC – gás composto por cloro, flúor e carbono), que passou a ser uso no lugar da amônia como gás de refrigeração. A princípio, ele não deveria reagir com outras substâncias e por isso passou a ser usado amplamente em sprays, aerossóis e na fabricação de plásticos. Anos mais tarde (por volta de 1976), os cientistas descobririam o tamanho dos danos que cada molécula da substância ao ser quebrada pela radiação ultravioleta provocava na camada atmosférica.

1968 – O Clube de Roma reuniu 30 estudiosos da questão ambiental na Europa para discutir sobre conservação da biosfera e pesquisas ecológicas – os países já viviam a dicotomia entre desenvolvidos e subdesenvolvidos.

1971 – O Painel de Founex, na Suíça, contou com a participação de peritos em desenvolvimento e meio ambiente. O conceito de desenvolvimento sustentável já era discutido, porém, aqui, os países pobres continuavam com os ritmos de aceleração de seus próprios desenvolvimentos.

1972 – A Conferência de Estocolmo ainda estava ligada às preocupações com a natureza. Como preservação de espécies e patrimônios culturais e naturais. Nesse período o Brasil vivia o milagre econômico e os assuntos ambientais não eram as prioridades em pauta.

1981 – A Estratégia Mundial para a Conversação (World Conservation Strategy) lançava o conceito de ecodesenvolvimento em reunião entre a União para a Conversação de Natureza (IUCN) e o Fundo Mundial para Vida Selvagem (WWF) com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). Nesta época, apesar de se falar muito em preservação de diversidade biológica e utilização racional dos recursos naturais. Surge o conceito de desenvolvimento sustentado.

1982 – Comemorou-se os 10 anos da Conferência de Estocolmo. Na reunião em Nairobi, no Quênia, o PNUMA propôs a criação de uma Comissão Mundial Independente sobre Meio Ambiente. Os países desenvolvidos não aceitaram pelo fato de a comissão pretender estudar além das questões ambientais, os problemas de desenvolvimento.

1983 – Assembléia Geral das Nações Unidas adotou a Resolução 38-161, que criava a Comissão Mundial Independente sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Entre outros aspectos, analisou os problemas inerentes da má distribuição entre países pobres e ricos relacionados ao crescimento populacional, a grave crise urbana e a pobreza e o consumo de recursos desproporcional.

1987 – O Relatório de Brundtland foi apresentado às Nações Unidas, e apesar de reconhecer a necessidade de aprimoramento, começou a trabalhar com a participação democrática global em busca do desenvolvimento sustentável.

1988 – A 43ª Assembléia das Nações Unidas propôs uma nova conferência a ser marcada para 1992 sobre temas ambientais.

1989 – A 44ª Assembléia das Nações Unidas aprovou e convocou para junho de 1992 a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD).

1992 – O Rio de Janeiro sediou a CNUMAD que ficou também conhecida como Eco 92, com o objetivo de discutir as conclusões e propostas do Relatório Brundtland. Foi aprovado o documento Agenda 21 com um roteiro de medidas detalhadas a serem tomadas e discutidas constantemente entre governo e sociedade em prol do desenvolvimento sustentável.

Ainda em 1992, um grupo de cientistas lançou o relatório “Além dos Limites” que retratava a então, atual situação do planeta. Como os recursos naturais foram utilizados mais rápidos do que poderiam ser restaurados e a biosfera absorvera a liberação de resíduos e poluentes além da sua capacidade.

1998 – Discutido e negociado na cidade de Kyoto, no Japão, em dezembro de 1997, o Protocolo de Kyoto é ratificado em março. O documento traz informações e objetivos para que os países industrializados reduzissem em pelo menos 5% a emissão de gases provocadores do efeito estufa. A meta deve levar em consideração o nível de emissões em 1990, até o período entre 2008 e 2012.

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