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Trânsito da capital paulistana não muda no Dia Mundial Sem Carro

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22 de Setembro de 2009

Redação UrbanPost
de São Paulo

No Dia Mundial Sem Carro, a cidade de São Paulo registrou pico de 73,5 quilômetros de lentidão às 9h da manhã, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). O índice é considerado “normal” pelos técnicos da empresa. Mas qual foi a percepção do cidadão comum diante do movimento mundial?

A equipe do UrbanPost conta aqui a experiência de quem usou o ônibus (Cleber), trocou o carro pela bicicleta (Aline) ou que sucumbiu ao conforto do carro (Patrícia). E você, como foi o Dia Mundial Sem Carro?

Cleber Arruda, jornalista:
“Para os usuários do transporte público, o Dia Mundial Sem Carro não foi uma grande novidade. Alguns dos passageiros da linha Itaim Bibi 957-T – que vai da Cohab de Taipas (zona Norte da capital paulista) até o bairro do Itaim Bibi (zona Oeste), nem sabiam sobre o evento. Eu, passageiro diário da linha, gastei hoje os mesmos 90 minutos que levo normalmente no trajeto entre minha casa e o trabalho, na região de Pinheiros.
Resolvi puxar papo com um passageiro ao meu lado e fiz um comentário sobre a quantidade de carros na rua e sobre a iniciativa frustrada de uma cidade com menos automóveis – pelo menos no dia de hoje. O rapaz sequer havia ouvido falar a respeito do tal ‘dia sem carros’.”

Aline Lickel, webdesigner:
“Foi com minha bicicleta vermelha, com luzes de sinalização, que encarei os 3,5 quilômetros que separam minha casa do trabalho. Vir para cá de bike foi muito tranqüilo e lúdico. Primeiro, fiquei com receio por conta do tempo ruim, mas coloquei uma capa de chuva na mochila e vim. Demorei 15 minutos no trajeto, contra os 20 gastos quando venho de carro. Foi a primeira vez que fiz o trajeto sobre duas rodas como meio de locomoção para o trabalho. Aos fins de semana, a magrela é usada com frequência.
O principal ponto do Dia Mundial Sem Carro é levantar a poeira e mostrar para as pessoas que existem outras possibilidades de transporte na cidade. Em um lugar como São Paulo, em que os congestionamentos são cada vez mais intensos, é importante colocar esta questão: transporte público, bicicleta ou mesmo trajetos à pé”.

Patrícia Nakamura, jornalista:
Treze quilômetros do mais genuíno trânsito paulistano separam minha casa, na Zona Leste de São Paulo, do meu local de trabalho. Eu sou uma dos milhões de motoristas que contribuem para o caos. Neste ano, no Dia Mundial Sem Carro, tentei aderir ao movimento. E fracassei – comodismo e um pouco de insegurança me fizeram desistir da empreitada. Afinal, não uso nenhum tipo de transporte público há pelo menos 10 anos – sempre atravessei a cidade (às vezes mais de uma) para trabalhar.
Ontem, chequei no site da SPTrans (responsável pelo transporte público em São Paulo) para aprender a me locomover de ônibus.
Beleza: apenas uma baldeação, perto da Praça da Sé. Os pontos eram perto de casa e bem ao lado do trabalho. Juntei as tralhas numa mochila (computador portátil, carteira, necessaire, agenda, caderno) e segui a pé, debaixo de uma fina garoa, até o ponto da Rua dos Trilhos. Tumulto na hora de entrar no ônibus. Fiquei para trás. “Ah, é comum”, afirmou uma moça que disse trabalhar na Vila Olímpia. Por conta da hora que passava inclemente, resolvi voltar para casa e pegar o carro. Enfrentei o mesmo trânsito de sempre. Ou um pouco menos porque não deparei com nenhum acidente ou carro quebrado no caminho. Também não vi nenhum ciclista no caminho. Talvez a chuva tenha desencorajado os possíveis candidatos. Fiquei com vergonha de mim mesma. Chato.
Em 2010 eu tento de novo. Provavelmente de patins.

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