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As armadilhas virtuais de um mundo sem fronteiras

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15 de Setembro de 2009

Cleber Arruda
Redação UrbanPost, de São Paulo

Você movimenta sua conta bancária, faz compras online, atualiza suas informações nos sites de relacionamento, troca mensagens com os amigos. Faz tudo isso diariamente, com tranquilidade. As instituições financeiras adotaram ferramentas sofisticadas de controle de acesso e os antivírus são softwares acessíveis à maioria dos internautas. Mas não pense que os criminosos cibernéticos se intimidaram. Pelo contrário. Eles não cansam de procurar brechas nos procedimentos de segurança de grandes corporações.

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A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) registra em torno de 330 mil transações fraudulentas em cartões e Internet, provocando prejuízo de aproximadamente R$ 300 milhões para os bancos. A Febraban informa que para a inibição dos crimes e melhoria em tecnologia e segurança são investidos US$ 1,5 bilhão ao ano pelas instituições.

Segundo o delegado Carlos Sobral, chefe da coordenação de repressão a crimes cibernéticas da Polícia Federal, os criminosos não descansam das tentativas de burlar os sistemas de segurança. “São cerca de 180 mil tentativas incidentes por ano, ou seja, todo esse pessoal procurando brechas na rede para cometer fraudes”, informa.

De acordo com os dados enviados pela Polícia Federal, foram registrados de janeiro a março aproximadamente 218 mil incidentes reportados no mundo virtual; desses, 79% são de tentativas de fraudes.

Além da disposição dos criminosos, a imprudência dos internautas também conta pontos para a disseminação desses crimes. Afinal, quem não resiste aos apelos de uma mensagem eletrônica cujo título é “Resolvi confessar que te amo”? Ao tentar descobrir quem é o autor do recadinho romântico, o incauto abre as portas de seu computador para um mundo de informações preciosas.

Pois é, ainda tem gente que cai nessa. Some-se aí a falta de legislação própria para o assunto. O pobre internauta leva um tempão para provar ao banco que sua conta corrente foi vítima de um ataque de hacker.

A investigação é lenta – mapear todos os protocolos (uma espécie de “rastro” deixado pelo internauta) requer tempo e autorização dos portais e sites envolvidos. Até a polícia começar a agir, criminoso já limpou suas pegadas e partiu atrás de outras vítimas.

O senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) apresentou um projeto de lei que vem alimentando a discórdia entre internautas, juristas e investidores em internet. O projeto prevê a identificação prévia do usuário em provedores de acesso antes que ele possa navegar pela web. As informações seriam validadas e armazenadas pelos provedores sob sigilo, mas a Justiça poderá pedir essas informações em caso de investigações

“A proposta visa combater o crime. O texto modifica cinco leis brasileiras para que elas possam abranger os crimes digitais, relativamente novos quando comparados à nossa legislação”, diz o senador.

Quem esteve na última Campus Party – evento cibernético que reune internautas do mundo todo em rede – acompanhou de perto a manifestação contrária à lei, alegando que ela destrói a liberdade de expressão e fere a privacidade do internauta.

Azeredo não concorda com as manifestações. “As afirmações de que haverá criminalização generalizada de usuários são apelativas. O projeto não pretende ‘controlar’ a web. Não é um texto para a Internet. É uma proposta que visa combater os crimes cometidos com a informática”, rebate.

A dicas da Febraban, para quem não abre mão da facilidade da internet em resolver operações bancárias, e não quer se surpreender com números vermelhos saltando na telinha do extrato são simples, e, servem também para proteção de outros problemas virtuais:

• Não revelar senhas e trocá-las periodicamente;
• Não fornecer dados pessoais;
• Manter anti-vírus e firewall atualizados;
• Não abrir e-mails suspeitos;
• Não executar arquivos de origem desconhecida;
• Informar imediatamente a agência quando verificar saque indevido de sua conta.

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