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Fotógrafo documenta novas expressões de uma Angola recente

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25 de Agosto de 2009

Cleber Arruda
Redação UrbanPost, de São Paulo

Crianças sorridentes, mulheres carregando bacias de roupas e bandejas de ovos na cabeça, e poses, muitas poses descontraídas. Estas são algumas das cenas e retratos que compõem a exposição “Faces de Angola”, em cartaz até 29 de agosto.

Ao todo, são 20 fotografias do repórter de política do jornal Valor Econômico Yan Boechat, realizadas durante uma breve passagem a trabalho no final do ano passado.

Confira a galeria de fotos de Yan Boechat

Boechat aproveitou todas as oportunidades para registrar momentos comuns das cidades por onde passou: Luanda, a capital do país e Uije, ao norte, quase fronteira com o Congo. “Na bagagem levei minhas câmeras e um monte de filme. Minha ideia era, nos intervalos da entrevistas, sair pelas ruas fotografando as pessoas, que são meu tema preferencial. Sempre que tinha uma folguinha colocava a máquina no pescoço e saia andando pelas ruas” conta.

Viajante de carteirinha, Boechat procura explorar lugares que não fazem parte dos circuitos turísticos. “Sempre gostei muito de viajar, principalmente por países mais, digamos, exóticos. Já estive no Irã, no Afeganistão, na Ucrânia, na Bolívia e em outros países que muita gente não gosta de ir”. Em Angola, documentou uma sociedade que atravessou momentos difíceis e com consequências ainda presentes.

Depois de apenas sete anos após a guerra civil que durou cerca de três décadas e praticamente devastou o país, Angola mostra um novo fôlego para crescer economicamente. Nos últimos três anos seu PIB apresentou o maior avanço no mundo, com taxa média anual de expansão de 20%.

Suas reservas contam com mais de 18 bilhões de barris de petróleo, além de conquistar a quarta posição no ranking das maiores jazidas de diamantes do mundo.

Apesar de todos esses números positivos e a entrada de milhões de dólares na economia do país, a sociedade ainda vive sob a situação de miséria, ocupando o 157º lugar entre os 177 países listados no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU. “É um pais que está renascendo, terá muitas dificuldades ao longo do caminho, principalmente pelo fato de a economia ser quase toda baseada no petróleo” observa Boechat.

Uije, por exemplo, já foi a maior produtora de café da África e uma das quartas em todo o mundo. Hoje é mais uma das que reflete em suas ruas o quadro de pobreza do país, herança das décadas de devastação provocadas pela guerra civil.

Uma curiosidade presente na forma de trabalhar de Boechat é não abrir mão dos trabalhos manuais e montou em sua casa seu próprio laboratório. “Eu aprendi a fotografar com câmeras absolutamente manuais e com os velhos e bons filmes. Praticamente só fotografo com filmes. Não é exatamente inteligente sob o ponto de vista econômico, mas é o que me dá mais prazer, e como gosto de fotografar.”

Serviço:

Salão da Fotografia Consigo
R. Conselheiro Crispiniano, 105  – Centro
São Paulo – SP
Segunda a sexta – das 8h às 19h e aos sábados das 8h às 13h
11 3214-2660
A entrada é franca

Links relacionados:

Flickr do fotógrafo: www.flickr.com/yanboechat
Site: http://www.consigo.com.br no link “Exposição”

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